POPULAÇÃO DEBATE E APROVA AMPLIAÇÃO DE FÁBRICA PDF Imprimir E-mail

POPULAÇÃO DEBATE E APROVA AMPLIAÇÃO DE FÁBRICA


 

Organização

BASF S.A.

Profissional Responsável

Gislaine Rossetti

Assessoria Externa

CLA Comunicações Ltda.

Ano da Premiação

2002



INTRODUÇÃO

No final de 1997, a BASF adquiriu o negócio de poliestireno da CBE (Companhia Brasileira de Estireno), e sua fábrica no parque industrial da Monsanto, em São José dos Campos (SP). A BASF está entre as líderes no mercado mundial do produto, razão pela qual o negócio assumia característica estratégica. O poliestireno produzido pela BASF é um plástico inerte, 100% reciclável e versátil, usado em embalagens de iogurtes, manteigas, em produtos descartáveis (copos, talhares e pratos), peças para equipamentos eletrônicos, gabinetes de vídeo e áudio, na parte interna dos refrigeradores, entre outros produtos.

Com a produção local, a BASF passou a oferecer produtos de qualidade mundialmente reconhecida e que antes eram importados. A BASF planejou a ampliação e a modernização das instalações da fábrica para atender à expectativa de aumento da demanda do produto no mercado brasileiro, exportar e lançar novos tipos de poliestireno para outras aplicações. O Brasil deixaria de ser importador e passaria a exportar poliestireno. A fábrica gera empregos e recolhe tributos ao município.

No entanto, de acordo com os artigos 16, 231 e 235 da Lei Orgânica do Município de São José dos Campos (SP), de 5 de abril de 1990, o projeto deveria passar por uma audiência pública. A realização de tais audiências, devidamente regulamentada por Decreto, serve para divulgar informações, recolher opiniões, críticas e sugestões de segmentos da população interessados nos rumos do projeto. Embora as audiências públicas não tenham caráter decisório, elas orientam a Prefeitura a conceder ou não as licenças de instalação e funcionamento.

A BASF considera legítimas tais manifestações, tanto é que em todas as comunidades onde possui unidades produtivas ela mantém o diálogo franco e aberto com a população, fato que se reflete na sua política de comunicação. A postura de "Respeito Mútuo e Diálogo Aberto" é parte integrante dos Valores e Princípios do Grupo BASF.

Nós tratamos todos de forma justa e com respeito. Buscamos sempre um diálogo aberto e confiante na empresa, com os nossos parceiros de negócios e com os grupos representativos da sociedade. Estimulamos nossos colaboradores a utilizarem o seu potencial e a criatividade para o êxito comum.

Tal postura está igualmente contemplada no Programa Atuação Responsável, da ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química), do qual a BASF participa voluntariamente desde 1992.

OBJETIVO DO TRABALHO

Viabilizar o projeto de expansão da BASF em São José dos Campos (SP). De acordo com os artigos 16, 231 e 235 da Lei Orgânica do Município de São José dos Campos (SP), de 5 de abril de 1990, o projeto de ampliação da fábrica de poliestireno instalada neste município deveria passar por uma audiência pública.

O cenário estava muito claro para a BASF. Era preciso mostrar à comunidade que o respeito às questões ambientais é aspecto intrínseco de sua política de respeito à saúde, à segurança e ao meio ambiente. A comunidade local desconhecia esse outro lado da BASF e há na cidade um movimento contrário à instalação e ampliação de unidades industriais, recentemente fortalecido por causa de uma audiência pública sobre a ampliação da Refinaria de Petróleo da Petrobras.

Por tudo o que foi exposto e como parte dos preparativos para a audiência pública, que aconteceu em agosto de 2001, seria preciso implementar um abrangente plano de comunicação. O sucesso da audiência pública deveria ser medido pela qualidade e a intensidade do diálogo da empresa com os seus públicos (comunidade local, políticos, colaboradores, ONGs, associações de classe, imprensa etc.).

A tarefa da equipe de Comunicação Social da BASF, auxiliada pela CL-A Comunicações, era desenvolver e executar, em pouco menos de três meses, um plano de comunicação que tornasse a empresa conhecida no município e estabelecer um diálogo franco e ético com as comunidades vizinhas.

ESTRATÉGIAS

A equipe preparou um Plano de Comunicação e Relações com a Comunidade, que envolvia um trabalho conjunto das equipes de Comunicação Social da BASF com a participação ativa dos responsáveis pela fábrica de São José dos Campos, da diretoria do negócio de poliestireno e da direção geral da empresa. Além da empresa responsável pelo EIA / RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Meio Ambiente), que pela legislação local, deveria apresentar sua avaliação técnica da questão ambiental. O Plano contemplava cinco fases diferentes, que em virtude do curto prazo disponível tiveram de ser executadas quase simultaneamente.

EXECUÇÃO

O Trabalho de Comunicação Realizado

Contratada pela BASF, a CL-A Comunicações Ltda preparou um Plano de Comunicação e Relações com a Comunidade, que envolvia um trabalho conjunto das equipes de comunicação da BASF e da CL-A, com a participação ativa dos responsáveis pela fábrica de São José dos Campos, da diretoria do negócio de poliestireno e da direção geral, além da empresa responsável pelo EIA/RIMA que, pela legislação local, deveria apresentar sua avaliação técnica da questão ambiental. O Plano contemplava cinco fases diferentes, que em virtude do curto prazo disponível tiveram de ser executadas quase simultaneamente.

Identificação da Visão da Comunidade

Pré-avaliação, em São José dos Campos, por meio de visitas, contatos com jornalistas, levantamento de informação em outras fontes etc. A partir desse ponto montou-se auditoria de opinião envolvendo entrevistas com moradores dos bairros próximos e de outras regiões da cidade. Pretendeu-se identificar o que pensava a comunidade e preparar respostas adequadas às suas dúvidas sobre o impacto do empreendimento e sobre o poliestireno. O trabalho também permitiu conhecer melhor as lideranças de maior representatividade na cidade, bem como a posição dos grupos ecológicos atuantes.

Localização de Possíveis Aliados

As principais entidades do município e do bairro onde está a fábrica foram procuradas individualmente e apresentadas à BASF, ao projeto de expansão e ao poliestireno. A partir desses contatos, realizaram-se eventos em várias entidades, com centenas de participantes. O gerente da fábrica proferiu palestra, na presença de diretores e até mesmo do presidente da BASF para a América do Sul.

A palestra antecipou possíveis questionamentos e ofereceu respostas consistentes às dúvidas. Vereadores e deputados de todas as legendas partidárias foram convidados, deixando claro que a empresa não tinha vinculação política. Após esses eventos, os presentes foram convidados a visitar a fábrica.

Preparação e Execução das Ações de Divulgação

Ações desenvolvidas em várias frentes tiveram o objetivo de chegar à audiência pública com a maior parte da população convencida do benefício do projeto para a cidade, seus moradores, o Estado e o país.

Tais ações envolveram a imprensa regional em várias entrevistas coletivas, contatos e visitas. Os funcionários da fábrica e seus familiares foram objeto de ações visando propagar a idéia de que a ampliação da fábrica não trazia problemas. Os membros das várias esferas do governo: Prefeitura, Câmara de Vereadores, Conselho do Meio Ambiente, Promotoria e Magistratura foram informados sobre a empresa, o projeto e o trabalho junto à comunidade. Para atingir a população de modo genérico, foram organizadas duas exposições simultâneas: sobre os 90 anos da BASF e imagens da arquitetura brasileira.

O evento aconteceu no Shopping Center Colinas, com painel informativo sobre a fábrica de São José dos Campos e seus produtos. Os visitantes recebiam folheto informativo sobre o projeto e a BASF, convidando-os para a audiência. O mesmo folheto também foi distribuído no centro da cidade e usado nas correspondências enviadas. Um volante especial foi preparado para responder às criticas de ambientalistas que realizaram manifestação contrária no centro da cidade.

Centenas de pessoas foram convidadas e visitaram a fábrica da BASF, onde puderam ter uma visão mais objetiva dos cuidados ambientais da empresa e do baixo risco do projeto.

Preparação da Audiência Pública

O êxito da audiência pública dependia de uma apresentação adequada, compreensível para a maior parte do público, de demonstrações favoráveis de segmentos da comunidade e de testemunhos complementares que mostrassem a posição da BASF como uma empresa comprometida, responsável e socialmente envolvida.

A preparação envolveu um P&R (perguntas e respostas) abrangente sobre questões ambientais e corporativas da BASF. Dirigentes de entidades empresariais e comunitárias foram procurados para fornecer mais informações e dados aos que estavam dispostos a testemunhar e motivá-los a preparar faixas de apoio para o dia da audiência.

Preparou-se material informativo (release) para entregar aos jornalistas na véspera e no dia da audiência. Uma equipe multidisciplinar foi treinada para atuar no dia da audiência, face às diversas contingências possíveis.

Convite para Presença na Audiência

Para que houvesse uma presença majoritária de depoentes a favor do projeto, foram identificadas e motivadas pessoas que pudessem dar testemunho significativo.

Para isso, milhares de associados de entidades contatadas receberam cartas, com o apoio de um amplo mailing de dirigentes de empresas, profissionais liberais, professores universitários e outros grupos especialmente elaborado para a ocasião. Colaboradores da BASF na cidade e seus familiares, clientes, fornecedores e prestadores de serviço de São José dos Campos e de Guaratinguetá receberam convite para a audiência.

Um trabalho especial foi feito em Guaratinguetá, onde fica o maior Complexo Industrial da BASF na América Latina, junto a lideranças comunitárias para testemunharem sobre a forma de atuação da empresa nas questões relativas ao meio ambiente e à comunidade. O mesmo aconteceu com relação às lideranças das associações nacionais e estaduais de entidades ligadas à área de atuação da BASF.

FORMA DE AVALIAÇÃO

Mais de 600 pessoas compareceram à audiência pública. Dois grupos ambientalistas levaram faixas contrárias e protestaram com máscaras protetoras. Em contraposição, entidades comunitárias dos bairros vizinhos à fábrica e várias associações estenderam faixas de apoio ao investimento da BASF.

Após as apresentações e aberta a palavra aos presentes, num processo que levou cerca de cinco horas, 85,8% dos que se pronunciaram foram favoráveis ao empreendimento. De um total de 78 manifestações, 67 foram a favor, 9 contra e 2 ressalvas. Os ambientalistas decidiram, em certo momento, enrolar suas faixas e deixar o recinto.

RESULTADOS

Diante da expressiva maioria favorável, a prefeitura aprovou o projeto. A audiência pública foi realizada há 12 meses e a fábrica está operando com capacidade ampliada desde dezembro de 2001.

Com a produção local, a BASF passou a oferecer produtos de qualidade mundialmente reconhecida e que antes eram importados. A empresa planejou a ampliação e a modernização das instalações da fábrica para atender à expectativa de aumento da demanda do produto no mercado brasileiro, exportar e lançar novos tipos de polistireno para outras aplicações. O Brasil deixou de ser importador e passou a exportar poliestireno. A fábrica gera empregos recolhe tributos ao município.

A fábrica da BASF em São José dos Campos ganhou visibilidade na cidade, em virtude do trabalho realizado em prol da audiência pública. Hoje a BASF não é uma desconhecida no município.

Para que a empresa alinhasse seus discursos à prática, e ao mesmo tempo atendesse, as expectativas da comunidade joseense (empresários, entidades, comunidade local), após a BASF solidificou o relacionamento com a sociedade civil de São José dos Campos, por meio de um plano de comunicação, o qual contempla ações propostas durante a preparação da audiência pública. Vale lembrar, que tais ações devem focar a Segurança da Comunidade, Saúde, Educação e Meio Ambiente.

PESQUISA COM A COMUNIDADE

Este relatório preliminar reflete a opinião de alguns segmentos da sociedade joseense – em especial dos moradores de áreas próximas à BASF, que confirma a visão levantada no início do trabalho por nossa equipe e que tem orientado as ações de comunicação.

A pesquisa foi realizada com 21 pessoas, sendo 18 da comunidade, três jornalistas e um executivo, entre os dias 26 e 28 de junho de 2001, na região de São José dos Campos.

1 Quais são as principais empresas da região?

Embraer – 77%

Philips – 22%

GM – 70%

Ericsson – 15%

Monsanto – 62%

Solectron – 15%

Johnson – 54%

CTA – 8%

Kodak – 22%

Petrobras – 8%

O elevado número de citações da Monsanto é resultado de a maior parte das entrevistas terem sido realizadas na região que circunda o complexo industrial: Jardim Limoeira, Jardim Pôr-do-sol e Jardim das Indústrias. Os entrevistados residentes em outras regiões não citam a Monsanto. A BASF não é citada nem mesmo pelos moradores da área.

2 Você tem alguma preocupação quanto à instalação ou ampliação de empresas na região?

A quase totalidade dos entrevistados (90%) vê com bons olhos a expansão industrial na região, aprova toda e qualquer iniciativa que seja refletida em mais dinheiro para o bairro. Apenas dois pesquisados citaram os efeitos nocivos à saúde e o perigo de acidentes como restrições.

Os principais pontos que levam a população a apoiar novas indústrias são: mais empregos e conseqüente redução nos índices de violência; comerciantes – principalmente donos de restaurantes, para os quais os negócios cresceriam com a ampliação da atividade industrial.

Palavras como "progresso" ou "crescimento" foram ouvidas com freqüência. Quanto aos males decorrentes do desenvolvimento, como poluição, perigo de acidentes, urbanização desordenada, quase todos consideram como "conseqüências inevitáveis do progresso".

3 Você conhece a BASF? Você sabe o que a BASF produz em São José dos Campos?

Todos os pesquisados na região da Monsanto conhecem a empresa. Cerca de 50% deles sabem que tipo de atividade é realizado na unidade. Porém, nenhum entrevistado de outras regiões da cidade tinha conhecimento da presença da empresa em São José dos Campos. Obviamente, não sabiam que a fábrica produz poliestireno.

4 Você usa os produtos feitos com este plástico feito em São José dos Campos?

O entrevistador citou produtos feitos com poliestireno e todos responderam positivamente, que conheciam e consumiam os produtos citados.

5 Você considera esses produtos seguros? Por quê?

Embora todos tenham considerados os produtos seguros, essa questão gerou muitos comentários interessantes sobre segurança de um modo geral. A população costuma associar a BASF e Monsanto como uma única empresa: não é muito clara a divisão entre elas (85% dos entrevistados pareceram não entender com clareza o fato de as duas empresa serem independentes, de apenas funcionarem no mesmo local).

Em contrapartida, os lideres da comunidade entendem esta diferença. As duas empresas têm uma imagem ligada a "boa estrutura" ou "alta tecnologia", o que traz naturalmente tranqüilidade à população local em relação à possibilidade de acidentes.

Insegurança do lado de fora do complexo

"Lá dentro é seguro, mas aqui fora tem que haver mais cuidado". Caminhões que passam com uma freqüência enorme e eventuais derramamentos de produtos tóxicos nas ruas do bairro foram apontados por grande parte dos entrevistados (70%) como falhas graves. Alguns líderes associam esses vazamentos diretamente à BASF.

Histórico

Segundo comentários de alguns entrevistados, há cerca de oito anos era constante o derramamento de estireno durante o transporte feito por caminhões em condições precárias, que passavam por dentro do bairro para chegar até a empresa. O cheiro do estireno (moradores sabem identifica-lo) é extremamente desagradável e a limpeza por parte da defesa civil muitas vezes demorava a ser efetuada.

Após muitas reclamações, o quadro melhorou, mas pequenos vazamentos ainda acontecem. O trânsito de caminhões na rua que dá acesso ao complexo da Monsanto é realmente muito grande e muitos deles de fato trafegam em alta velocidade. "Eles pensam que isso aqui é uma rodovia" – comentário comum dos moradores.

6 Você sabe que a empresa está programando investimentos na fábrica? Quais?

O fato é de conhecimento de todos os moradores locais entrevistados e cerca de metade deles sabia que a fábrica seria ampliada. Os jornalistas entrevistados também têm conhecimento do projeto de ampliação.

7 Quais são as pessoas que você considera importante na comunidade?

Francisco Paulo de Oliveira, "presidente do bairro", foi apontado como influente. Indicaram também Airton José da Silva, presidente da SAB entre 1989 e 1991 e dono de alguns imóveis na área.

A liderança religiosa é fraca. Não há igrejas evangélicas no bairro e o padre do Jardim das Indústrias preside a missa no Limoeiro apenas aos sábados. Este padre, mesmo estando há poucos meses na região, é contra a ampliação da fábrica. Ele considera que o perigo que a presença de uma indústria química representa já é elevado demais, prefere que não haja expansão. Não é contra a instalação de novas indústrias de uma maneira geral.

8 Comentários e/ou reclamações mais comuns da comunidade do Jardim Limoeiro, bairro onde está localizada a BASF.

É importante ressaltar que a diferença entre Monsanto e BASF, como duas empresas distintas, não é muito clara para a maior parte dos moradores. As críticas e elogios são gerais, o que acaba sendo positivo, uma vez que a Monsanto tem um trabalho junto à comunidade – construção e auxílio na manutenção do posto de saúde do bairro, eventual auxílio financeiro para realização de festas comunitárias, contato com a segurança do complexo – bem melhor do que o realizado pela BASF, segundo os líderes locais.

Derramamento de estireno nas ruas do bairro

Muito comum no começo da década, quando a produção de poliestireno ainda estava nas mãos da Monsanto, é menos freqüente agora, e, quando ocorre, o vazamento é de proporções inferiores às registradas nos anos anteriores.

Mas o fortíssimo cheiro liberado e o alto risco que o produto representa, segundo os moradores, fazem com que os derramamentos sejam lembrados pela grande maioria (60% dos moradores comuns, 100% dos líderes).

Um agravante: o chefe da segurança do complexo, Paulo, que tem um contato até certo ponto próximo com os moradores, responde ser "coisa da BASF" quando é questionado sobre derramamentos.

Trânsito de caminhões na rua principal do bairro

Para se chegar à entrada do complexo da Monsanto, os motoristas têm que passar por dentro do bairro, pela rua Carlos Marcondes, a principal via do simples bairro, com pequenos restaurantes e residências.

A quantidade de veículos pesados que passa pela rua – pequena, de mão dupla – é realmente muito grande. Os moradores reclamam (cerca de 50% dos entrevistados) quanto à altíssima velocidade com a qual alguns motoristas passam pelo local. A rua deve ter algo em torno de 400 metros de comprimento, da Igreja até o portão de entrada da Monsanto.

A solução proposta pela comunidade, apesar de ter um custo razoavelmente alto, é a construção de uma via paralela à rua Carlos Marcondes, numa área que seria da Monsanto, por onde passariam os caminhões e veículos cujo destino fosse o complexo.

O derramamento de estireno nas vias públicas é imediatamente ligado à BASF (60% dos moradores que citaram o vazamento como problema lembraram da BASF), uma vez que os moradores sabem qual é o destino final do produto.

Maior contato da BASF com representantes dos moradores

Os líderes da comunidade reclamam da falta de diálogo entre os representantes da BASF e a comunidade.

"Se a pessoa não conversa parece que tem algo a esconder", diz o presidente da associação de moradores. Reuniões com os moradores seriam uma maneira simples e eficaz de ganhar sua confiança, pois fariam com que se sentissem importantes.

"Não sabemos o que é feito em temos de segurança lá dentro", disse o proprietário de um restaurante próximo ao portão principal do complexo industrial.

Quando questionados sobre a possibilidade de comparecerem à audiência pública, os líderes das comunidades – incluindo Paulo de Souza, presidente da SAB do Jardim das Indústrias, bairro vizinho a Limoeiro, pareceram dispostos a colaborar.

"Eu represento os moradores, não posso dizer que sou a favor de uma coisa sobre a qual não conheço detalhes", diz Francisco Paulo de Oliveira – presidente da Associação Bairro do Limoeiro, que ao contrário de Paulo de Souza, pareceu querer condicionar sua colaboração às melhorias no bairro.

É importante lembrar que a grande maioria dos moradores acha que quanto maior o número de empresas na região, melhor para o bairro, sendo com isso favoráveis à BASF, porém demonstrando o desejo de uma relação mais próxima entre a empresa e a comunidade.

A Monsanto demonstra ser mais sensível à importância da valorização da relação com a comunidade. Construiu (ou reformou) o posto de saúde do bairro, e o chefe de segurança da empresa está sempre em contato com os moradores. Mas aparentemente ele fala apenas em nome da Monsanto.

Transcrição adaptada dos registros existentes no CONRERP 2ª Região – São Paulo/Paraná

 


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